Como tenho tempo, perdi algum dele a ler demoradamente artigos de jornais, mesmo dos económicos. Recomendo o artigo de Teodora Cardoso, no Jornal de Negócios online, sobre a confiança, ou mais precisamente a desconfiança dos portugueses, transcrevendo apenas uma parte do parágrafo final. Mas vale a pena ler e meditar nele todo.
(…) Tudo isto nos leva de volta à confiança. (...) A sua destruição parece, contudo, ter-se tornado, mais do que nunca, no objectivo fundamental dos que se habituaram a explorar a desconfiança em seu benefício.
De um estilo e de uma temática totalmente diferentes, adequado a qualquer altura e circunstância, também recomendo um excelente post de A. Teixeira, intitulado As maminhas da favorita.
Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
03 julho 2007
Leituras
02 julho 2007
Página em branco
Que poema, de entre todos os poemas,página em branco?
Um gesto que se afaste e se desligue tanto
que atinja o golpe de sol nas janelas.
Nesta página só há angústia a destruir
um desejo de lisura e branco,
um arco que se curve – até que o pranto
de todas as palavras me liberte.
(poema de Sophia de Mello Breyner Andresen)
01 julho 2007
Portugal europeu
Apesar de dizer, todos os sábados e domingos, que deixarei de comprar o DN, todos os fins-de-semana reincido na compra.Hoje valeu a pena. Tem um excelente grupo de artigos sobre a presidência portuguesa da União Europeia – Especial Europa – bem escritos, informativos e interessantes.
A propósito do mandato de Sócrates para redigir e aprovar o Tratado Reformado, parece-me de grande desonestidade política argumentar-se contra a necessidade do referendo pelo facto de não ser a Constituição/Tratado Constitucional que será ratificada/o, mas apenas um tratado. É um truque de prestidigitação que corre sérios riscos de desacreditar ainda mais José Sócrates e todo um conjunto de europeístas que defendem não se poder correr o risco de ver o tratado reformado rejeitado.
Em democracia correm-se riscos em todas as eleições. É mesmo a essência da democracia: correr o risco de convencer os cidadãos!
Nomeações
O regime de intimidação, autoritarismo e compadrio político que se vive (e que já se viveu noutras legislaturas) é atrofiante para os cidadãos, reduz a confiança nos governantes e instala a cultura dos capachos profissionais, os olhos e ouvidos dos chefes, tudo o que é mais contrário e pernicioso à vivência democrática. Pelo que temos lido na imprensa, os casos da DREN e do Centro de Saúde de Vieira do Minho são disso excelentes exemplos (se bem que não entendo porque é que um caso passado em Janeiro só agora seja notícia).
Mas, mais uma vez segundo o que leio na imprensa, mais precisamente no Público de hoje (página 8), o caso da não recondução do cirurgião Fernando Portal como director do Hospital Distrital de S. João da Madeira, cargo que exercia há 17 anos, não é idêntico e não pode ser confundido com os outros.
O Director de um Hospital é um lugar de nomeação política. Podemos discutir a correcção ou incorrecção da lei mas, neste caso, não é isso que está em causa. Sendo um cargo de nomeação política, depreende-se que quem o ocupa se revê ou, pelo menos, se compromete a seguir a política e as orientações governamentais.
Ora parece que o Dr. Fernando Portal declarou publicamente a sua divergência em relação à reestruturação dos serviços de urgência, no que dizia respeito ao fecho dos mesmos no Hospital que dirigia.
É um direito que lhe assiste, obviamente, é mesmo um dever de quem pensa e tem lugares de direcção dentro da rede de prestação de cuidados de saúde, se discorda, combater as medidas que considera prejudiciais e contrárias ao bem-estar da população.
Mas cabe ao ministro ajuizar se quem escolhe para a direcção de uma unidade de saúde, e repito é uma escolha política, tem condições políticas para implementar as medidas decididas por ele e pelo resto do governo.
O que me espanta é o próprio Dr. Fernando Portal não ter apresentado a sua demissão por estar em total desacordo com o fecho das urgências do seu hospital.
Acho que se confunde muito o direito de divulgar opiniões com a responsabilização e assumpção das consequências desse mesmo acto. Somos livres de discordar das opções políticas do Ministro da Saúde. O que não podemos é esperar que o Ministro nomeie para a direcção das unidades de saúde pessoas que discordam da sua política e que, logicamente, não terão as melhores condições políticas para exercerem esses cargos.
Mas, mais uma vez segundo o que leio na imprensa, mais precisamente no Público de hoje (página 8), o caso da não recondução do cirurgião Fernando Portal como director do Hospital Distrital de S. João da Madeira, cargo que exercia há 17 anos, não é idêntico e não pode ser confundido com os outros.
O Director de um Hospital é um lugar de nomeação política. Podemos discutir a correcção ou incorrecção da lei mas, neste caso, não é isso que está em causa. Sendo um cargo de nomeação política, depreende-se que quem o ocupa se revê ou, pelo menos, se compromete a seguir a política e as orientações governamentais.
Ora parece que o Dr. Fernando Portal declarou publicamente a sua divergência em relação à reestruturação dos serviços de urgência, no que dizia respeito ao fecho dos mesmos no Hospital que dirigia.
É um direito que lhe assiste, obviamente, é mesmo um dever de quem pensa e tem lugares de direcção dentro da rede de prestação de cuidados de saúde, se discorda, combater as medidas que considera prejudiciais e contrárias ao bem-estar da população.
Mas cabe ao ministro ajuizar se quem escolhe para a direcção de uma unidade de saúde, e repito é uma escolha política, tem condições políticas para implementar as medidas decididas por ele e pelo resto do governo.
O que me espanta é o próprio Dr. Fernando Portal não ter apresentado a sua demissão por estar em total desacordo com o fecho das urgências do seu hospital.
Acho que se confunde muito o direito de divulgar opiniões com a responsabilização e assumpção das consequências desse mesmo acto. Somos livres de discordar das opções políticas do Ministro da Saúde. O que não podemos é esperar que o Ministro nomeie para a direcção das unidades de saúde pessoas que discordam da sua política e que, logicamente, não terão as melhores condições políticas para exercerem esses cargos.
30 junho 2007
O dia seguinte
O dia seguinte, sonolento, tranquilo, em câmara lenta.Ainda se ouvem os ecos das conversas, o tilintar dos copos, os risos, ainda se sente o calor e o aconchego dos abraços, dos olhares, da cumplicidade, da alegria dos reencontros, o agridoce das despedidas.
Saboreio o dia seguinte.
27 junho 2007
O vazio
Por vezes de repente há um vazionem um gesto nem voz nem pensamento
terrível como a foz do grande rio
onde vai dar algures o esquecimento.
Nem branco ou negro nem sequer cinzento
um calor sem calor. Frio sem frio.
Não há nada por fora. E nada dentro.
Não é menos nem mais. É só vazio.
(poema de Manuel Alegre; fotografia de Jonathan Day-Reiner: emptiness)
Subscrever:
Mensagens (Atom)
Skoda - o carro musical
Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...
-
Durante muito tempo achei que não se deveria dar palco a André Ventura e aos seus apaniguados. O que dizem é de tal forma idiota, mentiros...
-
Há uns dias recebi um e-mail do Blogger, essa entidade que se rege por algoritmos e regras que ninguém sabe muito bem como foram e são feita...
-
Resilience Paula Crown O Sapo vai deixar de ser uma plataforma de alojamento de blogs. Tudo acaba. Os blogs estão em agonia e só mesmo algu...
