23 dezembro 2006

Comissões

Já muito se disse e escreveu sobre a comissão do Parlamento Europeu que está a investigar o eventual transporte ilegal de prisioneiros de guerra, em voos que terão cruzado espaço aéreo comunitário.

A luta contra o terrorismo não justifica tudo e não é muito crível que os estados membros da UE, tendo acordos com os EUA, por exemplo no âmbito da NATO, tenham registado ou questionado os ditos voos. E até porque, deixemo-nos de hipocrisias, seriam operações de que os mesmos estados membros, caso suspeitassem de ilegalidades, prefeririam com certeza nem ter delas conhecimento. Esta é a crua realidade e os protestos de inocência por parte dos países, assim como a procura das acusações exemplares, por parte da comissão, são encenações de um drama pouco convincente.

Mas a verdade é que existe uma comissão de investigação, cujo objectivo é… investigar! Os deputados europeus que integram essa comissão representam os cidadãos europeus e não um partido ou um governo de um determinado país. Concorde-se ou não com a histeria e a forma demasiado arrebatada de Ana Gomes discutir o problema, não se conseguem perceber as acusações de dama ofendida do Ministro da Defesa, que não justificou a discrepância entre os números de voos fornecidos oficialmente e os números que constam de uma lista a que Ana Gomes teve acesso. Ainda menos se percebem as posições de cavaleiro defensor da dama ofendida assumidas por José Lello, que só conseguiu cobrir-se de ridículo e levantar suspeitas de que, de facto, os números oficiais não são credíveis.

Portugal não está habituado a que comissões de investigação façam o que lhes compete. Pior para Portugal, para o governo e para o grupo de indefectíveis do PS, que têm uma coluna vertebral bastante flexível.

22 dezembro 2006

Em suspenso

Todos os anos é assim. O país, tal como nós, fica suspenso por uns dias, faz um intervalo, à espera de qualquer coisa diferente, que sabe que vai ser exactamente igual a sempre.

Todos os anos é assim. O país, tal como nós, afoga as mágoas nestes dias em que se adornam as emoções de cores fortes e odores intensos, em que se faz muito barulho para abafar o que de verdadeiro nos inunda por dentro, e caminha inevitavelmente para a ressaca das contas e balanços, das desculpabilizações e dos compromissos inabaláveis.

Todos os anos é assim: passamos trezentos e sessenta e dois dias a preparar, a suspirar, a negar, a esperar, apenas por três.


(pintura de Christy Michaels Tremblay: Forest Breath)

Amor

Desde que a tua
a minha mão aqueça
e que o teu olhar
me não esqueça,
desde que o amor
nos converta
e nos mereça,
não há tremor
que estremeça
o nosso mundo.

(pintura de Arpad Szenes: La Vallée)

Trabalhadores de Natal

Para muitos estão a começar umas mini férias. Por motivos religiosos ou não, esta quadra é sempre especial e convida à reflexão.

Se pararmos um pouco, apercebemo-nos do esforço, do desconforto, da entrega e da generosidade de todos os que, por deveres profissionais ou apenas por dever de consciência, velam para que todos tenhamos acesso à gastronomia, aos embrulhos, às limpezas dos desperdícios, às deslocações de rotina ou de urgência, às exigências de consumo, do corpo ou do espírito, aos socorros, às ajudas na solidão, aos abraços de amizade.

Para todos os que nos proporcionam a capacidade de concretizar um feliz Natal, o meu desejo de que nos ajudem a partilhar essa sua dádiva.

Parlamento

O debate parlamentar mensal entre governo e oposição é uma peça de teatro repetitiva e algo grotesca: o primeiro-ministro grita e finge-se zangado; a oposição chora e finge-se ofendida.

Convinha substituir o encenador, já que os actores têm contrato para uma longa temporada…

Referendo


Caso alguém ainda esteja com dúvidas...

Em Cascais

Isto não são horas, mas depois do café bebido às 11 da noite, para afastar os vapores do álcool das nossas mentes, em festividades pouco consentâneas com o recolhimento desta época natalícia, vai custar a adormecer.

Pois a Enoteca de Cascais é mais teca que eno. Fica perto da baía, da lindíssima baía de Cascais nesta noite límpida e gelada, como das noites quentes e vagarosas. Sobem-se umas escadas íngremes (há elevador, provavelmente mais adequado à descida…) e entra-se numa sala bastante acolhedora, com poucas mesas e uma estante cheia de garrafas de vinho. O atendimento é muito simpático.

O problema é quando se pretende escolher vinhos. Os que têm cruzinhas (muito mais de metade da lista) não há. Ou seja, o cliente escolhe um vinho, mesmo que não tenha cruzinha, e o solícito e conhecedor empregado sugere outro, pois aquele não há, devido à falta de pontualidade dos fornecedores de Dezembro. A sério, foi isso que disseram.

Provámos (comemos!) menus de degustação (não há restaurante onde agora não haja menus de degustação) o que significa que comemos muito e bem, bebemos bastante e melhor, e pagámos horrores!

Gostei... mas continuo fiel ao Chafariz do vinho, na Rua da Mãe d’Água.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...