Era esperada esta contestação social ao governo. Apesar do que muitos dizem, o governo iniciou várias reformas, que são duras para muitas pessoas.Reformas pedidas há muito tempo por todas as forças políticas, inclusivamente as que mais anos estiveram no poder e nunca as efectuaram. Reformas sentidas como necessárias por inúmeros sectores da sociedade. Reformas absolutamente inadiáveis, segundo os critérios da União Europeia.
O que mais custa é reformar as atitudes, as mentalidades, a cultura. A administração pública, a saúde, a educação, a justiça, tudo o que enforma a nossa relação com o estado e a nossa identidade enquanto sociedade, estão em profunda crise. O mundo mudou e com ele nós também temos que mudar.
Mas é muito mais fácil falar nas reformas do fazê-las, e muito mais difícil é “sofrê-las”.
Apesar de tudo com que não concordo, a minha avaliação deste governo é positiva, e penso mesmo que é o melhor governo que tivemos em anos e anos de governação.
Mas Sócrates deve estar atento. Sou a favor da autoridade de um estado democrático, mas contra o autoritarismo de quem se julga acima de críticas.
O governo não deve recuar na sua actuação, mas deve ter a humildade de perceber que os tempos são difíceis para muitos, e que serão ainda mais difíceis para muitos mais. Deve explicar à exaustão porque tem tomado determinadas medidas, assumir, responsabilizar-se e recuar, quando perceber que se enganou.




