12 outubro 2006

O Governo

Era esperada esta contestação social ao governo. Apesar do que muitos dizem, o governo iniciou várias reformas, que são duras para muitas pessoas.

Reformas pedidas há muito tempo por todas as forças políticas, inclusivamente as que mais anos estiveram no poder e nunca as efectuaram. Reformas sentidas como necessárias por inúmeros sectores da sociedade. Reformas absolutamente inadiáveis, segundo os critérios da União Europeia.

O que mais custa é reformar as atitudes, as mentalidades, a cultura. A administração pública, a saúde, a educação, a justiça, tudo o que enforma a nossa relação com o estado e a nossa identidade enquanto sociedade, estão em profunda crise. O mundo mudou e com ele nós também temos que mudar.

Mas é muito mais fácil falar nas reformas do fazê-las, e muito mais difícil é “sofrê-las”.

Apesar de tudo com que não concordo, a minha avaliação deste governo é positiva, e penso mesmo que é o melhor governo que tivemos em anos e anos de governação.

Mas Sócrates deve estar atento. Sou a favor da autoridade de um estado democrático, mas contra o autoritarismo de quem se julga acima de críticas.

O governo não deve recuar na sua actuação, mas deve ter a humildade de perceber que os tempos são difíceis para muitos, e que serão ainda mais difíceis para muitos mais. Deve explicar à exaustão porque tem tomado determinadas medidas, assumir, responsabilizar-se e recuar, quando perceber que se enganou.

11 outubro 2006

Barro

Nem sempre as mãos abarcam
o barro
que todos os dias
moldamos esforçados,
nem sempre alheados
do mundo
com que nos atam
os dedos,
em contínua redenção.

Nem sempre o barro e o mundo
sobram das mãos,
em perpétua sujeição.


(pintura de Lena Emmertz: compact living)

Acordo com o MIT

Não sei, e gostaria de saber, se o acordo celebrado com o MIT é muito diferente do que se tinha apostado. Não sei, mas gostaria de saber, se alguma coisa correu mal.

Mas independentemente de tudo isso, parece-me muito importante que haja protocolos de trabalho que envolvam o MIT e várias universidades, institutos, laboratórios e empresas.

O impacto que tudo isso terá na nossa economia será tanto maior quanto mais as empresas souberem valorizar e inovar, quanto maior importância atribuírem à investigação tecnológica, quanto mais arriscarem, o que não tem sido hábito por estas bandas. Mas nunca é tarde para começar!

Taxados

Não concordo com as taxas de utilização, como agora Correia de Campos lhes chama, para internamentos e cirurgias do ambulatório. Não são os doentes que decidem se devem ser operados ou internados, muito menos o tempo de internamento de que necessitam.

Se é necessário aumentar o orçamento para a saúde, seja através de impostos, seja como for, que o ministro e o governo o assumam, que o expliquem e que digam como. Se o montante resultante das taxas é assim tão irrisório, não há justificação para as criar.

Já passaram quase 2 anos desde a posse do governo. A pasta da saúde é muito complicada e não há dúvida de que a despesa tem subido exponencialmente. Mas há outras maneiras de racionalizar os gastos. A reorganização dos cuidados de saúde primários, a junção de recursos e a optimização dos mesmos, como no exemplo das maternidades, a reestruturação das urgências hospitalares, o alargamento dos horários de atendimento das 8:00 às 20:00, a elaboração de protocolos de procedimentos diagnósticos e terapêuticos, a implementação das unidoses e do receituário por denominação comum internacional (princípio activo), com comparticipação do componente tipo, a liberalização das farmácias, etc.

Ouvem-se rumores de aberturas de várias unidades hospitalares privadas, não se sabendo muito bem quem são os médicos e enfermeiros que lá irão trabalhar, ou quem fica nos serviços públicos. Será essa a ideia? Esvaziar os hospitais públicos?

Tenho tentado perceber uma orientação nesta política de saúde. Começo a desesperar. Será que existe, Sr. Ministro, ou está só a fazer de conta?

09 outubro 2006

Dilúvio


No sé si por maldad o por olvido
no fui llamada al arca. El fin del mundo
duró cuarenta días y cuarenta
noches. Pero alguien hizo con sus manos
la dulce balsa que evitó mi muerte.


(poema de Amalia Bautista: gravura de Gustave Doré: dilúvio)

Procurador-Geral Pinto Monteiro



Ouvi, de forma intermitente, o curto discurso de tomada de posse do novo Procurador-Geral da República.

No país da maravilhosas leis e da fuga para a frente, quando não parece haver soluções fáceis, ouvir um indivíduo com esta responsabilidade dizer que o essencial é aplicar as leis, levanta a moral e aviva a esperança.

Outro aspecto que me agradou enormemente foi a responsabilização de toda a sociedade na luta contra a corrupção:

  • (…) em cada povo e em cada época tem que existir aquele mínimo de valores éticos a respeitar, e subjacentes à feitura e aceitação das leis (...)
  • (…) é fundamental a criação de um juízo de censura, de um desejo de punibilidade existente na consciência moral do homem médio, que por isso deve ser sensibilizado para o problema (…)
  • (…) não havendo essa consciência moral e a certeza de que todos serão tratados de igual forma, existindo antes a convicção de que todos se governam e de que a corrupção é um mal menor e inevitável, os esforços contra a corrupção serão sempre votados ao fracasso (…)


Finalmente temos outro Procurador-Geral da República. Desejo-lhe a ele, e a nós, muitas felicidades.

08 outubro 2006

Smile

Smile



Smile though your heart is aching

Smile even though its breaking

When there are clouds in the sky, youll get by

If you smile through your fear and sorrow

Smile and maybe tomorrow

Youll see the sun come shining through for you



Light up your face with gladness

Hide every trace of sadness

Although a tear may be ever so near

Thats the time you must keep on trying

Smile, whats the use of crying?

Youll find that life is still worthwhile

If you just smile



Thats the time you must keep on trying

Smile, whats the use of crying?

Youll find that life is still worthwhile

If you just smile





(Madeleine Peyroux: Half the perfect world)

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...