10 setembro 2006

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O novo filme de Pedro Almodóvar é, como todos os anteriores, excessivo. Excessivo nas cores, excessivo nas formas, excessivo nas vozes, excessivo nos corpos, excessivo nos planos, excessivo na opulência.

É uma história de mulheres em que mais uma vez se demonstra que há uma sociedade à superfície e que, na profundidade, existe uma realidade com regras femininas, ditadas pelas mulheres mães e pelas mulheres filhas que depois são mães, em que os homens são catalizadores das acções, a causa e a consequência do universo feminino e da forma como ele governa o mundo. Porque a vida é feita de regras que não são impostas, apenas existem. As almas deambulam pela terra à procura da paz eterna, os sentidos são o motor dos destinos traçados, em ciclos contínuos e quase sempre repetitivos.

Mais uma vez somos testemunhas de acontecimentos extremos, contados com as câmaras a amplificarem as palavras, os risos, as lágrimas, os cabelos, as mamas, os rabos, os sapatos, as bocas, as rugas, as pinturas a escorrer pelas caras, os pimentos, o tomate, o sangue, as batas e os lenços e as meias até aos joelhos, o vento, as portadas de madeira, os corpos gordos, velhos, suburbanos, doentes, sem pudor, com a naturalidade e a cumplicidade de quem sabe que a ficção não é mais que uma imagem desbotada da vida.

Não foi o filme de que mais gostei. Mas gostei bastante.

09 setembro 2006

Pacto na Justiça


Não concordo com pactos de regime, acordos alargados ou negociações secretas. Quando voto escolho uma determinada força política que propõe um determinado conjunto de políticas, que eu gostaria de ver implementadas.

E o que foi que esteve mais em negociação? Outros pactos? O nome do Procurador Geral da República?

Que pactos se vão seguir? O da segurança social?

Foram o PS e o Eng. Sócrates mandatados com maioria absoluta para fazer um bloco central?

A quem pedirei contas nas próximas eleições? A José Sócrates (sim, porque o PS não foi tido nem achado), a Marques Mendes ou a Cavaco Silva?

Agendas desconhecidas?


Antes de mais afirmo desde já o meu total repúdio a todas, mesmo a todas, organizações terroristas, independentemente da cor política, do país a que pertençam ou da fé que processem. Afirmo ainda a minha total solidariedade para com Ingrid Betancourt e outros sequestrados como ela, e o desejo de que termine o pesadelo das vítimas e das famílias.

Por todas as estas razões não posso perceber o facto de representantes de uma organização terrorista serem convidados por um partido que se diz democrático, a fazer propaganda das suas acções terroristas num país como o nosso, e acho patéticas e inaceitáveis as justificações do PCP.

Há, no entanto, alguns factos que me deixam algo perplexa:

  • Ingrid Betancourt foi sequestrada pelas FARC a 23 de Fevereiro de 2002;
  • Em Junho de 2002 a União Europeia põe as FARC na lista das organizações que considera terroristas (é óbvio que as FARC são terroristas independentemente da data a partir da qual assim as classifica a União Europeia);
  • Todos os anos a Festa do Avante recebe representações do Partido Comunista Colombiano (2002, 2003, 2004, 2005) e, também, da revista Resistência (pelo menos em 2004) que faz propaganda das FARC.

Parece-me deveras extraordinário que só este ano se tenha descoberto a ligação e apologia que o PCP faz às FARC!

Bem sei que mais vale tarde que nunca, mas não deixa de ser intrigante…

07 setembro 2006

Vem mesmo a propósito

A propósito do último programa "Quadratura do Círculo" vale mesmo, mesmo a pena ler Quadratura da estética, do "Lóbi do Chá" e As férias não lhes fizeram nada bem... do "Herdeiro de Aécio".

Incêndios


Sempre considerei Pacheco Pereira como um indivíduo que, embora pertencente a um partido político, tinha a capacidade de olhar para o cenário político de uma forma independente e intelectualmente honesta.

Tenho que rever em baixa essa minha assumpção. Então após a “Quadratura do Círculo” de ontem, é mesmo obrigatório e urgente que o faça.

De muito se pode acusar este governo, nomeadamente do controlo mediático, da propaganda e do discurso autoritário-e-positivista, possível pela inexistência de oposição credível.

A discussão sobre os incêndios, no dito programa, foi de uma inacreditável demagogia e falta de rigor, como Pacheco Pereira sempre reclama, o rigor.

Então vamos lá ao rigor:

  • Segundo o relatório de 5 de Setembro, da Direcção Geral dos Recursos Florestais (DGRF), entre 1 de Janeiro e 31 de Agosto deste ano, houve 18770 ocorrências (2897 incêndios e 15873 fogachos) o que correspondeu a 57994 ha de área total ardida. Este número corresponde a 19,31% da área ardida em 2005, 29,79% da média da área ardida entre 2001 e 2006 e 91,35% da menor área ardida (2001 – 63483 ha).
  • Ao olharmos para o gráfico do índice de severidade, percebemos que 2006 foi semelhante a 2003.

É claro que é horrível a quantidade de área ardida, é claro que o governo não pode ficar satisfeito e deve tomar medidas para que acabe este flagelo sazonal. Mas não podemos deixar de reconhecer que as medidas implementadas foram importantes e tiveram resultados muitíssimo melhores que os obtidos de há 5 anos para cá! Foi uma vitória de todos os que combatem os incêndios e uma vitória política de António Costa e do governo.


O que não correu nada bem foi a prevenção, a limpeza das matas, por exemplo e, se calhar, deve ser aí que se devem concentrar os esforços e alterar atitudes e comportamentos, do estado e dos privados.

Ao não reconhecerem estes factos, Pacheco Pereira e Lobo Xavier demonstraram quão desesperada está a oposição. E bem à maneira de político chocarreiro, quando percebeu que era melhor largar o assunto incêndios, Pacheco Pereira atacou falando no MIT (importante, sem dúvida) e do passaporte electrónico!

Foi de tal maneira que até consegui concordar com Jorge Coelho!!

Reconsiderar

Por artes mágicas, a Teixeira Duarte está a reconsiderar o tempo de finalização das obras no túnel do Rossio e a REFER está a reconsiderar a rescisão do contrato.

Não deixo de me espantar com tão espantosa redução de tempo – de 2011 para 2007 são… 4 anos!!!

Como é que numa semana se reduz o tempo para a conclusão de obras, em segurança, de 4 para 1 anos? O que é que está mal calculado, o primeiro ou o segundo prazo? E porquê?

A alucinação divina

E se Deus fosse uma alucinação, como os amigos imaginários de algumas crianças, com quem os crentes falam, a quem pedem favores, que responsabilizam pelos duros factos da vida e pela inexplicabilidade do universo?

E se as religiões fossem das maiores responsáveis pelos diverso bloqueios científicos, por atrasos nos desenvolvimentos civilizacionais, nos retrocessos comportamentais, na ausência de felicidade?

“The Root of All Evil?” – A Raíz de Todos os Males? – é um documentário televisivo passado no canal 4 da televisão inglesa, em Janeiro deste ano, da autoria de Richard Dawkins, basead no seu último livro (ainda por publicar) “The God delusion”.

Numa entrevista à revista Salon (a que tive acesso através do Diário Ateísta), explica como, na sua opinião, a inexistência das religiões monoteístas poderia levar à consciência do incrível privilégio que é ter tido a sorte de nascer e de viver, como George Bush e Bin Laden são semelhantes, como a necessidade de acreditar em algo sobrenatural pode ser comparado a uma infecção viral do nosso computador (cérebro).

Muito, muitíssimo interessante.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...