
Sempre considerei Pacheco Pereira como um indivíduo que, embora pertencente a um partido político, tinha a capacidade de olhar para o cenário político de uma forma independente e intelectualmente honesta.
Tenho que rever em baixa essa minha assumpção. Então após a “Quadratura do Círculo” de ontem, é mesmo obrigatório e urgente que o faça.
De muito se pode acusar este governo, nomeadamente do controlo mediático, da propaganda e do discurso autoritário-e-positivista, possível pela inexistência de oposição credível.
A discussão sobre os incêndios, no dito programa, foi de uma inacreditável demagogia e falta de rigor, como Pacheco Pereira sempre reclama, o rigor.
Então vamos lá ao rigor:
- Segundo o relatório de 5 de Setembro, da Direcção Geral dos Recursos Florestais (DGRF), entre 1 de Janeiro e 31 de Agosto deste ano, houve 18770 ocorrências (2897 incêndios e 15873 fogachos) o que correspondeu a 57994 ha de área total ardida. Este número corresponde a 19,31% da área ardida em 2005, 29,79% da média da área ardida entre 2001 e 2006 e 91,35% da menor área ardida (2001 – 63483 ha).
- Ao olharmos para o gráfico do índice de severidade, percebemos que 2006 foi semelhante a 2003.
É claro que é horrível a quantidade de área ardida, é claro que o governo não pode ficar satisfeito e deve tomar medidas para que acabe este flagelo sazonal. Mas não podemos deixar de reconhecer que as medidas implementadas foram importantes e tiveram resultados muitíssimo melhores que os obtidos de há 5 anos para cá! Foi uma vitória de todos os que combatem os incêndios e uma vitória política de António Costa e do governo.
O que não correu nada bem foi a prevenção, a limpeza das matas, por exemplo e, se calhar, deve ser aí que se devem concentrar os esforços e alterar atitudes e comportamentos, do estado e dos privados.
Ao não reconhecerem estes factos, Pacheco Pereira e Lobo Xavier demonstraram quão desesperada está a oposição. E bem à maneira de político chocarreiro, quando percebeu que era melhor largar o assunto incêndios, Pacheco Pereira atacou falando no MIT (importante, sem dúvida) e do passaporte electrónico!
Foi de tal maneira que até consegui concordar com Jorge Coelho!!



