02 agosto 2006

Obscurantismo


A luta contra o terrorismo não pode justificar tudo. São horríveis as mortes de civis, libaneses, palestinianos e israelitas.

Reconheço a necessidade do estado de Israel se defender contra os seus vizinhos que o não reconhecem como tal, imbuídos de fé, transformando diferenças políticas em guerras santas. A atitude de Israel tem levado ao extremar de posições no mundo árabe, nas próprias populações que, em eleições, colocam no poder grupos radicais que defendem o terrorismo como luta legítima pelo poder.

Mas notícias destas não ajudam o estado de espírito dos países ocidentais, no sentido de obrigar Israel a um cessar-fogo para negociações políticas. Aqui não há lugar à diplomacia nem à razoabilidade. É o fanatismo e o obscurantismo que apelam a choques civilizacionais. As declarações do Ayatollah Ali Khamenei são inaceitáveis e fazem perder a esperança na paz.

Bons rapazes

É difícil comentar uma decisão destas.

As crianças, apesar de crianças, são seres humanos. Mesmo que maltratadas pelas condições de vida em que nasceram e viveram não podem deixar de ser responsabilizadas pelos seus actos.

Torturar e matar não deixa de ser torturar e matar pelo facto desses actos terem sido praticados por adolescentes. Viram sangue, ouviram gritos e súplicas, sabiam que estavam a fazer MAL.

Reduzir tudo isto a uma brincadeira de mau gosto é enviar uma mensagem, a elas e a todas as crianças, de que tudo tem desculpa, de que os actos próprios podem sempre ser atribuídos a factores exteriores, que não há opções individuais ou livre arbítrio.

E se não fosse um homem com mamas haveria tanta compreensão pelos agressores?

Embrulhada

Pois é. A Ministra da Educação meteu-se numa boa embrulhada. Esperemos a decisão a seguir. Quanto à recomendação de aumentar as vagas no ensino superior, para colmatar injustiças, não percebo como. Quantas? Quais? Em que cursos?

Espera-se da Ministra sensatez, e que se rodeie de colaboradores que a ajudem a ultrapassar o imbróglio.

O precedente criado é muito perigoso. As medidas excepcionais justificam-se, mas suspeito que, a partir de agora, vão passar a existir muitas excepções, com exigências de medidas ainda mais excepcionais, entrando-se numa espiral sem fim à vista.

A propósito, será que os resultados vão ser assim tão diferentes?

01 agosto 2006

Corporativismo


A Inspecção Geral de Saúde (IGS) está a conduzir uma investigação aos médicos que mais prescrevem, no sentido de despistar relações perigosas entre a prescrição medicamentosa e o financiamento de viagens aos médicos prescritores.

Levantou-se imediatamente o Bastonário da Ordem dos Médicos (OM) classificando esta investigação de “perigosa”, “inaceitável” e “difamatória”.

Em primeiro lugar parece-me que a IGS tem o direito e o dever de inspeccionar tudo o que, no seu entender, puser em causa a correcta gestão de dinheiros públicos, assim como investigar eventuais casos de corrupção activa e passiva.

Em segundo lugar, se o problema a investigar é a relação entre a prescrição a mais e os financiamentos por laboratórios farmacêuticos aos médicos, não me parece que seja mais eficaz se for por método aleatório, conforme sugere o Bastonário da OM. Por outro lado, e concordo plenamente que a adequação do receituário ao problema de saúde deve ser determinada por peritos médicos, com certeza que a IGS poderá consultar os peritos sempre que isso for necessário. Para além disso, a OM e os tribunais existem para denunciar medidas e actuações ilegais, procedendo em conformidade.

Assim, eu gostaria de ter ouvido o Bastonário da OM elogiar esta investigação, demarcando-se de todos os médicos prevaricadores, salvaguardando e defendendo a honra e a dignidade daqueles que, todos os dias e nem sempre nas melhores condições, atendem os doentes com o seu melhor saber e profissionalismo.

Ou será que o Bastonário não ouve os rumores sobre médicos que prescrevem a mais? Ou sobre turismo médico? Ou sobre relações perigosas entre indústria farmacêutica e médicos?

Há dois pontos em que concordo com o Bastonário: é tão mau prescrever a menos como prescrever a mais; a escolha deste timing para noticiar a investigação (que está a decorrer desde Março) faz parte duma estratégia global do governo, em que se fazem sair notícias contra uma determinada classe profissional, preparando terreno para um grupo de medidas difíceis, que dizem respeito a essa mesma classe. Foi assim com os juízes, com os professores, adivinha-se que assim será também com os médicos.

Parece-me pouco ético que o faça. O que interessa é que a OM não se pode deixar arrastar para uma posição de confronto corporativista, fechando-se e negando o óbvio. Os médicos precisam de quem os defenda verdadeiramente, exaltando a honra e a dignidade de quem trabalha, realçando o muito de muito bom que há na profissão médica e não enjeitando iniciativas destinadas a identificar e isolar o pouco de mau que também há.

Longe de Manaus


Todos os anos aproveito a época balnear para ler sofregamente, como que lavando o cérebro e a alma, preparando-a para mais dias de falta de disponibilidade mental para a imaginação.

É muito tentador associar os personagens, as suas vidas e personalidades, às vidas e personalidades dos próprios autores. Tentador e enganador.

Mas a escrita emana directamente da sensibilidade e da vivência de quem escreve, da sua mente, das suas viagens, dos seus amores e desamores, do seu trabalho, do seu corpo, do seu relacionamento com o próximo, da sua religião, das suas caminhadas espirituais, dos seus hábitos e vícios, das suas insónias, das suas dores e gargalhadas, das suas idades exterior e interior.

E não posso deixar de colar algumas considerações aos autores que vou lendo. Depois de saborear “Longe de Manaus” de Francisco José Viegas, livro denso e enganadoramente policial, sobre as memórias, a solidão, as memórias das diversas solidões, a aceitação e a entrega, a maturidade.

É um livro que me lembra os de Manuel Vázquez Montalbán, mas para muitíssimo melhor.

É um livro velho, que mistura as cores secas e terrosas com sentimentos subterrâneos, como as águas lodosas de Manaus.

Gostei mesmo muito. Do livro e do que ele revela sobre o autor. Mesmo que não seja verdade, gosto de pensar que sim.

Hitchcock


Na areia, como soldados em parada, alinham-se bandos de gaivotas, em várias filas, em vários grupos, como se estivessem à espera de ordem para voar.

Ao fim da tarde na praia deserta, as aves dominam em exércitos estranhamente silenciosas. As cadeiras vazias, o azul parado do mar, as nuvens ligeiramente tingidas de cor de rosa. Como se estivessem à espera de ordem para atacar.

Hackers 2

Penso que já resolvi o problema. Vamos ver o que o Blogger.com me diz.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...