02 julho 2006

Democracia e religião


Vários blogues se têm referido à discussão da lei do protocolo do estado, principalmente no que se refere aos lugares dos representantes da Igreja Católica em cerimónias oficiais.

O que, para mim, é extraordinário é que, passados tantos anos desde a implantação da República, depois de tanto se ter lutado pela laicização do estado, ainda não haja uma separação efectiva entre a Igreja e o Estado. Isto é por demais evidente na recente polémica do retirar de símbolos religiosos (cruzes) das escolas públicas, ou mesmo da existência de aulas de religião, mesmo que opcionais, seja qual for a confissão religiosa em causa, também em escolas públicas.

Vem isto a propósito de um excelente texto crítico ao artigo do Prof. Anselmo Borges, no DN de hoje.

Discreta e mansamente, o Prof. Anselmo Borges vai impregnando o leitor da indispensabilidade de reconhecer o cristianismo como um cimento, um molde, um modelo para a democratização das sociedades, esquecendo-se que as democracias são sistemas políticos, em que a presença ou ausência de religião dos seus cidadãos deve ser irrelevante na condução das políticas institucionais. A religião é um assunto privado, do for íntimo de cada cidadão. Não me parece que os anteriores séculos de cristianismo sejam um testemunho de incentivo democrático.

A igualdade entre os homens, tal como pregada por Jesus Cristo, estava para além da religião.
(pintura de Audrey Frank Anastasi: stations of the cross)

in memoriam


QUANDO

Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta.

Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.

Será o mesmo brilho, a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta,
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.

(poema de Sophia de Mello Breyner Andresen; desenho de Arpad Szenes: Sophia)

Como todos os dias, as rotinas são as mesmas. Só o sol falhou, neste domingo de preguiça. Na qualquer superfície em que mentalmente me deito, volto-me para o outro lado, aconchegando virtualmente a manta. Hoje é um dia de memórias.

Quem era aquela mulher franzina, com o porte de uma deusa, tal como elas nos aparecem quando escrevemos poemas?

Quem era aquela musa, cuja voz planava pelos limites da música?

Sílaba a sílaba soletro o seu nome. Um vago murmúrio de ondas mergulha na minha paz.

01 julho 2006

Foi desta!

E foi um grande jogo, do princípio ao fim! Os ingleses jogaram muito bem, o que só dignifica a nossa vitória e a derrota deles. Não houve muita pantufada e o árbitro soube arbitrar.

Ricardo é mesmo o maior!

Parabéns

Através de “Um buraco na sombra” soube do aniversário de um blogue que tem alguns dos mais belos textos da blogosfera, para ler em qualquer domingo. Não posso deixar de o felicitar.

Será desta?



A batalha terá lugar às 16 horas (hora portuguesa), no Estádio da Copa do Mundo da FIFA, Gelsenkirchen, Alemanha.

Será desta que chegamos às meias-finais?

Uma questão de decência


Rui Rio tem dado vários exemplos de autoritarismo bacoco, a coberto de uma noção mais ou menos trauliteira do poder democrático.

Os subsídios devem ser dados se os projectos tiverem valor, independentemente do que os seus promotores pensem ou digam do poder público que lhos atribui – o poder autárquico não é pessoal – e têm todo o direito de criticar.

Rui Rio é que não tem o direito de chantagear a população.

Fim de tarde


Nestes momentos melancólicos de luz
desmaiada e em fogo, que se espraia
em pequenas amêndoas de persiana,
nestas horas de música langorosa,
sinto em todas as fibras um torpor
que não sei se é de ardor ou de lonjura,
pelo adeus a fragmentos de ternura.


(fotografia de Victor Zhang: afternoon sun)

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...