29 abril 2016

Da necessária multiplicação da UBER

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As manifestações a que assistimos hoje, com as marchas lentas dos taxistas nas 3 principais cidades do país são o último grito de uma época que está a desaparecer. A adaptação aos novos tempos pode ser difícil e dolorosa, mas é inevitável. Neste caso em concreto é muito bem-vinda a concorrência a um sector que não evoluiu e cuja imagem está muitíssimo degradada, por responsabilidade própria.


 


Não é impedindo que haja novas formas de angariação de passageiros, outras empresas que se disponham a servir melhor o público, com mais formação, mais profissionalismo e melhor educação, com carros mais limpos e seguros, que não precisam de arranjar trocos, com facturas automáticas e avaliações de satisfação imediatas, que estão à distância de umas teclas de telemóvel e que vão ter com os clientes, que os taxistas podem travar a inexorável marcha da inovação e da tecnologia. Não faltam casos de clientes vigarizados pelos motoristas, pagando muito mais do que deviam, com queixas de indelicadezas e grosserias, recusas de viagens curtas, conversas azedas que não foram pedidas, desaforos e perigosas corridas por essas estradas fora.


 


Se é preciso regulamentar a UBER ou qualquer outra empresa que se regulamente; se é preciso fiscalizar que se fiscalize. Mas a agressividade existente é prenunciadora da inevitabilidade. O que os taxistas deveriam era reivindicar melhor formação, melhores carros, mais profissionalismo, patrões que cumpram os seus deveres quanto aos direitos laborais, implementação de formas de pagamento com cartões electrónicos, facturas automáticas, etc. Mas antes de tudo e mais importante, mais civismo. Esperemos que o governo seja firme e promova a necessária e modernização deste sector de transportes.


 

23 abril 2016

Do teatro, ibérico e outros

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Pequeno passeio rumo ao Centro Comercial Vasco da Gama, mais precisamente à FNAC, lugar onde me esperava The mousetrap and other plays, de Agatha Christie, para me preparar condignamente para a próxima viagem à capital londrina, mais precisamente ao St Martin's Theatre, a casa desta peça desde 1974, em cena desde 1952.


 


Adoro estas pequenas passeatas que transformam um banal almoço numa estimulante conversa. De Londres e do teatro passei a William Shakespeare e às comemorações do 4º centenário da sua morte, com inúmeros colóquios, reedições de obras, estudos histórico-literários, etc., que nos transmitem a importância do autor britânico na literatura e na dramaturgia ocidentais.


 


E no entanto, a literatura e especificamente o teatro, nos séculos XVI e XVII europeus, muito ficaram a dever aos autores espanhóis, nomeadamente a Lope de Vega e Pedro Calderón de La Barca, assim como ao francês Molière, mais ou menos contemporâneos de Shakespeare.


 


Mas anterior a todos estes apareceu Gil Vicente, cuja obra eu gostaria muito de ver alguma companhia teatral a revisitar. O nosso Gil Vicente, com o seu Monólogo do Vaqueiro, quase inaugurou a importância social e política do teatro, como espelho do e sátira ao poder e às classes sociais, da linguagem dos simples, das figuras mitológicas, do bem e do mal, enfim, dos grandes temas que nos preocupam.


 


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Roque Gameiro


 


Não há dúvida que a pressão da língua inglesa explica em parte a notoriedade de Shakespeare e o relativo embaciamento dos autores ibéricos e francês. Mas nos séculos XVI e XVII não seria bem assim, a língua erudita era o latim e as línguas neolatinas muito mais importantes que a inglesa. Nada disto retira o brilhantismo e o génio a Shakespeare. Só é pena não haver o mesmo realce para outros, tão geniais e brilhantes como ele.


 


Nota: Alguém que comigo partilha passeios e conversas, enviou-me uma informação interessante: é que a primeira peça que a RTP apresentou logo após o início das emissões regulares foi precisamente... Monólogo do Vaqueiro.


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17 abril 2016

Au clair de la lune

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Au clair de la lune,


Mon ami Pierrot,


Prête-moi ta plume


Pour écrire un mot.


Ma chandelle est morte,


Je n'ai plus de feu;


Ouvre-moi ta porte,


Pour l'amour de Dieu.


 


2.


Au clair de la lune,


Pierrot répondit :


«Je n'ai pas de plume,


Je suis dans mon lit.


Va chez la voisine,


Je crois qu'elle y est,


Car dans sa cuisine


On bat le briquet.»


 


3.


Au clair de la lune,


L'aimable Lubin


Frappe chez la brune,


Ell' répond soudain :


— Qui frapp' de la sorte?


Il dit à son tour:


— Ouvrez votre porte


Pour le dieu d'amour!


 


4.


Au clair de la lune,


On n'y voit qu'un peu.


On chercha la plume,


On chercha le feu.


En cherchant d'la sorte,


Je n'sais c'qu'on trouva;


Mais je sais qu'la porte


Sur eux se ferma...

16 abril 2016

En passant par la Lorraine




 



 



 



 


 


En passant par la Lorraine,


Avec mes sabots,


En passant par la Lorraine,


Avec mes sabots,


Rencontrai trois capitaines,


Avec mes sabots,


Dondaine, oh! Oh! Oh!


Avec mes sabots.


 


Rencontrai trois capitaines,


Avec mes sabots,


Rencontrai trois capitaines,


Avec mes sabots,


Ils m'ont appelée: Vilaine!


Avec mes sabots,


Dondaine, oh! Oh! Oh!


Avec mes sabots.


 


Ils m'ont appelée: Vilaine!


Avec mes sabots...


Ils m'ont appelée: Vilaine!


Avec mes sabots...


Je ne suis pas si vilaine,


Avec mes sabots...


Dondaine, oh! Oh! Oh!


Avec mes sabots.


 


Je ne suis pas si vilaine,


Avec mes sabots...


Je ne suis pas si vilaine,


Avec mes sabots...


Puisque le fils du roi m'aime,


Avec mes sabots...


Dondaine, oh! Oh! Oh!


Avec mes sabots.


 


Puisque le fils du roi m'aime,


Avec mes sabots...


Puisque le fils du roi m'aime,


Avec mes sabots...


Il m'a donné pour étrenne,


Avec mes sabots...


Dondaine, oh! Oh! Oh!


Avec mes sabots.


 


Il m'a donné pour étrenne,


Avec mes sabots...


Il m'a donné pour étrenne,


Avec mes sabots...


Un bouquet de marjolaine,


Avec mes sabots...


Dondaine, oh! Oh! Oh!


Avec mes sabots.


 


Un bouquet de marjolaine,


Avec mes sabots...


Un bouquet de marjolaine,


Avec mes sabots...


Je l'ai planté sur la plaine,


Avec mes sabots...


Dondaine, oh! Oh! Oh!


Avec mes sabots.


 


Je l'ai planté sur la plaine,


Avec mes sabots...


Je l'ai planté sur la plaine,


Avec mes sabots...


S'il fleurit, je serai reine,


Avec mes sabots...


Dondaine, oh! Oh! Oh!


Avec mes sabots.


 


S'il fleurit, je serai reine,


Avec mes sabots...


S'il fleurit, je serai reine,


Avec mes sabots...


S'il y meurt, je perds ma peine,


Avec mes sabots,


Dondaine, oh! Oh! Oh!


Avec mes sabots.



Deste nosso admirável mundo novo

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Katarina Macurova


 


Confesso que quase todos os dias me apetece escrever qualquer coisa a propósito do que se vai passando. Mas a minha incapacidade para explicar o que me vai na alma, a impaciência e incompreensão para cada um do factos que considero totalmente superficiais e absolutamente irrelevantes para aquilo que as pessoas comuns pensam, precisam e pedem, faz com que me abstenha de escrever seja o que for.


 


E na verdade não tenho nada de importante a dizer. O que poderei comentar quanto à perigosa deriva totalitária dos bem pensantes das causas fracturantes e de esquerda, das minorias que, de tanto terem sido discriminadas, se acreditam com direito à prática de bullying sobre toda e qualquer incauta pessoa que não se acautele em relação à correcção da linguagem, para que não seja violentamente insultada nessa maravilhosa nova ordem social que se chama facebook?


 


A nova humanidade não terá sexo, não terá cor nem cheiro, não será gordo nem magro, não se alimentará de seres vivos, animais ou vegetais. Haverá os polícias da linguagem, da alimentação, do racismo, do sexismo e de outros ismos. As crianças não se rirão do ridículo, não serão preconceituosas, não marginalizarão os que sentem como diferentes, nascerão já com a correcção comportamental e social que hoje se constrói, nesta sociedade de seres limpos, saudáveis, igualitários, amadores de todas as coisas e pessoas, humanas e não humanas, respeitarão a vida e comerão as pedras, reduzindo extraordinariamente a sua pegada ecológica.


 


E eu que sou tão imperfeita, que gosto de comer e de beber, que passo a vida a controlar o peso e a maldizer o destino, que me queixo, que gosto de observar as feições das diferentes etnias, de apreciar as diferenças entre os sexos, que aprendi, como jovem mãe cheia de ideias feitas, que as meninas são diferentes dos meninos, independentemente da educação que se lhes dá (é uma questão de cromossomas e de hormonas, para além da educação), que não aprendi a nova linguagem asséptica do género, que não suporto o reescrever da História, a alteração das obras de arte, a dulcificação idiota das histórias infantis, a substituição do cigarro do Lucky Luke, a proibição de Huckleberry Finn ou do Tintin;


eu que fico estupefacta por ver um Ministro da Defesa precipitando-se com receio das redes sociais e das intrigas que nos avassalam o quotidiano, a assistir às demissões de membros do governo motivadas e explicadas no facebook;


eu que tento sobreviver aos anos, às intempéries da vontade, às desistências e às incredulidades, cada vez mais retrógrada, mais reaccionária, mais ultrapassada;


 


sinto-me completamente impossibilitada de me mexer, de falar, de me manifestar perante os mais acérrimos defensores das liberdades de expressão e do direito a ser-se quem se é. Até porque me falta o arcaboiço para resistir aos inevitáveis comentários venenosos, insultuosos, grosseiros e etc. que inevitavelmente me dirigirão, tal como os que vou lendo contra quem se atreve a por em causa esta nova e revolucionária forma de existir.


 


Admirável mundo novo, não te pertenço.


 

02 abril 2016

You're my thrill


 Sidney Clare & Jay Gorney & Joni Mitchell


 


I've been 'neath the moon before


Held by the charms


Of other arms


I heard love's tune before


And it used to bore me


'Till you stood before me


 


You're my thrill


You do something to me


You send chills right through me


When I look at you


'Cause you're my thrill


You're my thrill


 


How my pulse increases


I just go to pieces


When I look at you


'Cause you're my thrill


Nothing seems to matter


Here's my heart on a silver platter


 


Where's my will


Why this strange desire


That keeps mounting higher and higher


When I look at you


I can't keep still


You're my thrill

Black coffee


Sonny Burke & Paul Francis Webster & Peggy Lee


 


I'm feelin' mighty lonesome


Haven't slept a wink


I walk the floor from nine to four


In between I drink


Black coffee


Love's a hand-me-down brew


I'll never know a Sunday


In this weekday room


 


I'm talkin' to the shadow


One o'clock till four


And Lord, how slow the moments go


And all I do is pour


Black coffee


Since the blues caught my eye


I'm hangin' out on Monday


My Sunday dreams to dry


 


Now man was born to go a lovin'


But was a woman born to weep and fret


And stay at home and tend her oven


And down her past regrets


In coffee and cigarettes


 


I'm moonin' all the mornin'


Moanin' all the night


And in between it's nicotine


And not much heart to fight


Black coffee


Feelin' low as the ground


It's drivin' me crazy


This thinkin' 'bout my baby


Might maybe come around


Come around

O magistrado

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 Vasco Gargalo

Constituição da República Portuguesa - 40 anos

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Valeu a pena.

Dos fundamentos democráticos

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Activistas angolanos condenados


 


É natural que militantes, simpatizantes e votantes no PS estejam incomodados com a ideia de se coligarem, mesmo que apenas a nível parlamentar, com o PCP. Por muito que queiramos ignorar a realidade, o PCP não é um partido que se reveja nos fundamentos de uma sociedade democrática. E o resultado, na Assembleia da República, dos votos de condenação pela forma como o regime angolano trata os seus dissidentes políticos, é bem o espelho da incapacidade do PCP aceitar a liberdade de expressão de pensamento, o debate de ideias, o confronto oposicionista, enfim, a democracia.


 


Mas mais espantoso ainda foi a votação de partidos que apregoam as suas raízes democráticas como o PSD e o CDS. De um oportunismo difícil de qualificar, deram passos de gigante no distanciamento entre eleitores e eleitos e no descrédito a que são cada vez mais votados os regimes democráticos.


 


Verdadeiramente lamentável.


 

Da urgente necessidade das reformas laborais

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Ron Mueck


 


A discussão sobre a redução do horário de trabalho na função pública deveria servir de mote à discussão sobre a as alterações dos contratos de trabalho nos sectores público e privado, de uma reforma da legislação laboral que pudesse tentar resolver o crescente e permanente desemprego, a renovação geracional no mercado de trabalho e o gritante desaproveitamento de uma geração que não consegue iniciar a sua vida independente.


 


Como exemplo e falando de um sector que conheço: a grande maioria, se não a totalidade, dos serviços hospitalares de Anatomia Patológica, tanto públicos como privados, são assegurados por um escasso número de Patologistas com uma média etária a aproximar-se dos 55 anos ou mais. Há, neste momento, uma horda de Internos de especialidade que a acabará a partir do próximo ano e que aguarda que abram os quadros para poder ser contratada.


 


O que exponho para a minha especialidade pode extrapolar-se para as outras, nos Hospitais e Centros de Saúdees, e para outros sectores e áreas de trabalho. Durante anos foi-se aumentando a idade da reforma promovendo o envelhecimento activo, reduzindo os valores das reformas e pensões com o objectivo de as continuar a pagar; aumentou-se o horário de trabalho na função pública para 40 horas semanais, igualando o do sector privado, fecharam-se as contratações no Estado e reduziram-se os ordenados o mais possível, usando e abusando da fragilidade dos que aguardam uma oportunidade e a tudo se sujeitam para a conseguir.


 


Temos portanto quadros envelhecidos e cansados, sem tempo para pensar, ensinar, orientar e apoiar os mais novos, não há qualquer pirâmide etária que permita renovação e continuidade de atendimentos e serviços. Exige-se cada vez mais horas e mais responsabilidades aos mais velhos não havendo lugar para que os mais novos os substituam e iniciem o seu ciclo de vida.


 


É assustador pensar no que irá acontecer em 10, 20 anos, se não houver inflexão da situação e renovação urgente dos quadros e da legislação laboral. A sociedade não pode continuar a desperdiçar os seus mais jovens e qualificados activos, que não podem realizar-se plenamente, nem na vida pessoal nem na profissional. E porque não repensar as carreiras profissionais, diferenciando funções e reduzindo cargas horárias à medida que se aproxima o topo/ fim das mesmas, contratando mais gente jovem, por exemplo?


 


aqui falei de uma proposta de um estudo económico em que se advoga a redução dos horários para 21 horas semanais. Compreendo que os investimentos necessários sejam demasiados nos tempos que continuamos a passar, mas a ausência de implementação de medidas que renovem os quadros e as gerações, com políticas activas de promoção de emprego entre os mais jovens, é um caminho certo para o desastre e um ciclo vicioso quanto à sustentabilidade da segurança social e do SNS.


 


É muitas vezes em momentos de crise que se ensaiam ideias que podem ser a solução, por muito estranhas que sejam. É urgente que partidos, sindicatos, todas as organizações nacionais e internacionais reequacionem o que se tem feito e pensem numa solução. Talvez os fenómenos de aumento da marginalidade, da criminalidade, os fundamentalismos, para além das crescentes desigualdades sociais com as suas bolsas de pobreza e depressões colectivas possam começar a ser reduzidas.


 

Nova morada - do Sapo para o Blogger

Resilience Paula Crown O Sapo vai deixar de ser uma plataforma de alojamento de blogs. Tudo acaba. Os blogs estão em agonia e só mesmo algu...