31 dezembro 2014

Das tristezas que não pagam dívidas

E como é tempo de começar, comecemos bem, comendo, bebendo e brincando (ai, ai), que é o que se leva desta vida.


 


Este Natal, mesmo não relatados, os repastos foram muitos e fartos, em quantidade e qualidade certificadas: rabanadas, filhós, azevias, aletria, sonhos, bacalhau com batatas, couves e grão, vinho tinto Cartuxa EA, licores dos mais finos da adega caseira, marca Dona Sofia & Companhia (marca reputada e habitual à mesa cá de casa). Não falo da calda maravilhosa que tentei repetir (para os sonhos), que desta vez ficou maravilho...samente espessa, impossibilitada de fluir e ensopar os ditos (esses sim, maravilhosos). O arroz de pato da Chefe Mais Sábia foi uma festa para os palatos mais exigentes. E esta Consoada teve um gosto muito especial, pois a família reuniu-se com os andarilhos pelo mundo de regresso a casa (ainda que momentaneamente para alguns), além de novos comensais, de paragens mais longínquas.


 


Mas isto é o preâmbulo para a descrição dos mimos que estão a ser preparados para degustar pela noite dentro e pela madrugada fora, em animação madura e contida mas não menos real. O Chefe prepara os Camarões à Tio Fausto (um must nestes réveillons), para além dos patés e dos queijos com as respectivas tostas e bolachas de água e sal, da salada de frutas especial (que chega, pelo menos, para 300 pessoas), da sempre eterna e omnipresente aletria, do vinho Chardonnay Borgonha Côtes D'Auxerre e do champanhe Veuve Émille, que nos acompanharão e ampliarão a alegria.


 


Com conversa, convívio e amizade, faremos figas e rogaremos uma praga à má sorte. António Costa será Primeiro-Ministro, António Guterres será Presidente da República, a Justiça será uma realidade e nós teremos confiança nela, os jovens começarão a ver uma luz ao fundo do túnel e a Europa regressará a si própria.


 


Que haja trabalho, música, poesia e romance e, mais importante que tudo isso, bom humor e disposição para esquecer os maus dias e aproveitar os bons. E como Carlos do Carmo foi agraciado com o Grammy latino, aqui deixo o Fado da Saudade cantado por ele, com letra de Fernando Pinto do Amaral e música de (envolto em polémica...), também agraciado com um Goya.


 



Fado da Saudade


Fernando Pinto do Amaral & Carlos do Carmo


 


Nasce o dia na cidade, que me encanta


Na minha velha Lisboa, de outra vida


E com um nó de saudade, na garganta


Escuto um fado que se entoa, à despedida


E com um nó de saudade, na garganta


Escuto um fado que se entoa, à despedida


 


Foi nas tabernas de Alfama, em hora triste


Que nasceu esta canção, o seu lamento


Na memória dos que vão, tal como o vento


O olhar de quem se ama e não desiste


Na memória dos que vão, tal como o vento


O olhar de quem se ama e não desiste


 


Quando brilha a antiga chama, ou sentimento


Oiço este mar que ressoa, enquanto canta


E da Bica à Madragoa, num momento


Volta sempre esta ansiedade, da partida


Nasce o dia na cidade, que me encanta


Na minha velha Lisboa, de outra vida


 


Quem vive só do passado, sem motivo


Fica preso a um destino, que o invade


Mas na alma deste fado, sempre vivo


Cresce um canto cristalino, sem idade


Mas na alma deste fado, sempre vivo


Cresce um canto cristalino, sem idade


 


É por isso que imagino, em liberdade


Uma gaivota que voa, renascida


E já nada me magoa, ou desencanta


Nas ruas desta cidade, amanhecida


Mas com um nó de saudade, na garganta


Escuto um fado que se entoa, à despedida


 


Bom Ano para todos!

Dos votos anuais

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And Light Fell On Her Face Through Heavy Darkness


Gavin Worth


 


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Montagem de NUMBERS ONE through ZERO


Robert Indiana


 


Hoje esteve um dia lindo, frio e luminoso, como que a pedir desculpa ao Universo pelos restantes dias do ano que acaba. De uma forma ou de outra, lá vamos cumprindo os rituais das despedidas e das alvoradas dos velhos e novos ciclos de tempo.


 


Espero sempre muito do futuro, do próximo ou do mais longínquo. E por isso me desiludo muito, com o próximo e com o longínquo. É difícil alegrar-me com as vitórias, quando à minha volta conheço tantas derrotas.


 


Felizmente há a música, sempre a música. Vou começar o ano com ela e na companhia de quem comigo partilha ventos e marés, viagens aos abismos e às estrelas. Talvez no abraço que nos damos esteja a vontade renovada de continuar.


 


Que todos possam brindar à esperança. Aguardam-nos mais 365 dias de luta por uma vida melhor, mais digna e mais justa.

30 dezembro 2014

Da (des)animação futura

Pouco me apetece celebrar o próximo 2015. Afigura-se um ano de mais pobreza, mais desesperança, mais tristeza. Enfeitamos o Natal mas ele mostra-se cada vez mais no esplendor da hipocrisia e da falsidade.


 


Eleições, legislativas e presidenciais. O ano político marcará tudo o resto. O PS de António Costa ainda muito morno, não sei se a preparar-se para os embates se porque não sabe o que fazer. Em relação à escolha de um Presidente nem a esquerda nem a direita têm figuras que se perfilem com a qualidade que associamos à mais alta autoridade do Estado. E bem precisamos, depois de 2 mandatos de um Presidente que desconfigurou essa função. Se António Guterres não avançar para a Presidência, o PS ficará com um problema acrescido. Sampaio da Nóvoa não me parece uma boa hipótese e a fabricação de candidatos lembra-me sempre o que se passou com Fernando Nobre. Em relação à direita, continuo a pensar que Marcelo Rebelo de Sousa se não apresentará e as outras hipóteses não são animadoras.


 


A Europa esfrangalha-se perante a incapacidade política dos países membros, principalmente daqueles que são mais iguais que os outros. O bem-estar social evapora-se, com os problemas das desigualdades, das populações migrantes, do desemprego galopante, da falta de perspectiva das novas gerações, com o envelhecimento populacional.


 


De facto nada está animador. Enconchamos cada um na sua realidade, o egoísmo e o autismo medram.


 


Não podemos, no entanto, desistir de um futuro. E por isso alguma esperança ainda persiste. Pode ser que 2015 nos traga alguma boa surpresa.

Vulgar

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Adamo Macri


 


Descubro-me sempre menor


do que me sonho. Tão mais vulgar e apagada


que nos espaços que percorro e conquisto


para me reconhecer acordada


figura de cera inamovível e incolor.

27 dezembro 2014

Dos pequenos temas laterais

Afinal, quase exactamente 2 meses depois, ficamos a saber, de forma relativamente discreta, que o BES teria tido os mesmos resultados que o BCP nos tão famosos testes de stress à Banca, em 2013.


 


Para que servem então estes testes de stress? E qual a credibilidade da regulação e das Instituições que têm essa função?

23 dezembro 2014

Ausências

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Nunca me preparei para as ausências.


Nas gavetas do meu corpo gestos


de carícia ou separação


guardados num qualquer quarto alugado


da alma em permanência


de gelo e paixão.

Das correspondências da época

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Querido Pai Natal,


Querido Menino Jesus,


 


Penso que não tenho nenhum pedido especial. Também me parece que já devem estar bastante cansados dos pedidos da humanidade, daquela parcela da humanidade que pede e se queixa, pois a outra parte nem sequer tem força para se lembrar das épocas natalícias, ocupada que está a sobreviver.


 


Por isso esta carta serve apenas para vos dizer que compreendo a enorme vontade que devem ter de despachar esta quadra o mais depressa possível, para que regresse o silêncio e se refaçam as forças para enfrentar mais um ano de penúria, revolta e tristeza perante o que se passa no país e no mundo. E para que o grande intervalo entre este e o próximo Natal seja aproveitado para devolver alguma esperança a quem já desesperou, alguma decência e dignidade a quem a perdeu ou a quem delas foi obrigado a separar-se. E mais que tudo, antes que tudo e a propósito de tudo, que não nos percamos uns dos outros.


 


Boa Consoada.


 


PS – Ajudava IMENSO a eleição do PS com maioria absoluta e de um Presidente que nos restaurasse a vontade de resistir.

17 dezembro 2014

Das noites solidárias

A solidariedade e o carinho cristãos deixaram de ser sentimentos da intimidade de cada qual, um amor ao próximo íntimo e modesto, apenas conhecido desse próximo e de Deus inspirador de tão santas tendências e convicções, para passar a ser um acontecimento social, propagandeado e apregoado pelos media, com fotos das benfazejas criaturas adequadamente vestidas - ou como se fossem para a ópera ou com a fluorescência dos bombeiros. Alvos de grandes e oportunas reportagens, os desgraçados que tiveram a infelicidade de ser sem-abrigos, novos e envergonhados pobres ou outra qualquer marginalidade, são exibidos sem qualquer pudor para os consumidores de big brothers, condoídos candidatos a qualquer coisa ou empresários com enormes consciências sociais.


 


Tal é a quantidade de iniciativas para ajudar os desfavorecidos que a noite de Natal não chega para tanto ardor de ajuda e amor, pelo que as ceias começam a 14 de Dezembro, para que as santas e os santos ajudantes de Cristo possam ter a noite de 24 para consoarem na paz do Senhor, nas suas quentinhas casas e com as suas famílias mais ou menos funcionais, tranquilizadas as consciências pelo bem espalhado, deixando os sem-abrigo e as famílias carenciadas com o seu Natal minguante.

14 dezembro 2014

Missa em Lá maior (BWV 234) - Kyrie


Johann Sebastian Bach


Amsterdam Baroque Orchestra & Choir


Kyrie eleison,
Christe eleison,
Kyrie eleison.

Dos preparativos (3)

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Em abono da verdade deve dizer-se que, embora estejam deliciosos, os licores de ameixa e de pêssego não se distinguem muito bem um do outro e não sabem grandemente a qualquer das frutas. Até a cor é muito parecida.


 


Há apenas um pormenor que os separa - o de pêssego está bastante mais forte que o de ameixa! Mas não há desânimo que me chegue, neste tema (palavra bastante em voga) dos licores. Este fim-de-semana foi a vez de acabar o último, que aguardava pacientemente a sua vez.


 


Esse foi uma excelente surpresa, porque a fé que tinha nele era escassíssima. É de folha de figueira. Não uma novidade, porque já o tinha feito, mas as folhas que gentilmente me deram não tinham um perfume muito acentuado e eu estava bastante céptica quanto ao resultado final.


 


Pois está mesmo muito bom. Tem mesmo a cor da folha de figueira, um perfume e um sabor que lembra o figo, está excelente e é fácil de fazer.


 


Colocam-se as folhas de figueira partidas aos bocadinhos (com as mãos) num frasco de boca larga com a aguardente do costume. Depois de macerar pelo menos 1 mês (eu deixei-as a macerar desde Setembro), côa-se a aguardente (num pano de algodão ou de linho), faz-se um xarope com água, açúcar e raspa de laranja (para 1 litro de água, 750 g de açúcar a ferver durante 15 minutos). Depois junta-se o xarope à aguardente (para cada litro de aguardente, 8 dl de xarope) deixa-se ferver, enfrasca-se e só se rolha quando está frio.


 


O problema começa a ser a falta de imaginação para tanto verso de pé quebrado!

11 dezembro 2014

Do não retorno

Nunca percebi muito bem a razão da atitude céptica e desesperançada que a maioria das pessoas adquire à medida que envelhece. Não são só os cabelos que embranquecem, mas também os olhos perdem o brilho, os ombros encurvam, os sorrisos abreviam. A nostalgia e o culto da inocência demonstram bem a certeza de a perderem, se bem que o exacto significado dessa expressão tardava em revelar-se.


 


Mas agora olho para o que era e para o que sou, e vou entendendo que a secura da vida se apropriou de mim. Muito do que eram as minhas crenças e do que eram os meus princípios, férreos e inamovíveis, nobres e escorreitos, limpos e directos, parecem cada vez mais esbatidos, a perder nitidez. A relativização dos limites e dos comportamentos perante as desilusões e as evidências a desmentir tudo o que pensava certo e inquestionável, o mover do chão onde me implantei, fazem com que me desgoste de mim.


 


E no entanto não quebrei nada a que me tivesse comprometido, cumpro devotadamente os meus deveres, apregoo aos quatro ventos a procura da felicidade, a existência desse local mítico que nos faz viver, dia a dia, ano a ano. Mas algo se vai quebrando em mim, essa capacidade de olhar para o mundo e o ver cintilar, essa radiosa certeza de que se nos dermos à vida ela nos será gentil e pródiga.


 


Na verdade, para uma total agnóstica como eu, acredito de mais na providência e no retorno das boas acções. Só existem acções, nem boas nem más, mas apenas inconsequentes, rituais e inconscientes, uma roda de actos e emoções que se modelam entre si e se habituam a tudo. E a nada.

09 dezembro 2014

Dos preparativos (2)

licor pessego.png


Como não posso descansar nestes períodos febris… e fabris, também já está pronto o licor de pêssego. A receita é a mesma do de ameixa, é só substituir a palavra (e o fruto) ameixa por pêssego. Agora é preciso arranjar as garrafinhas, os rótulos e as rolhas, o que não é propriamente fácil.


 


No domingo consegui convencer uma parte da família a ir contemplar as iluminações da Avenida da Liberdade. Não sei que me deu este ano para ter tanta necessidade de impregnar-me de Natal a partir do frio e das cores das luzes penduradas nas árvores, do amarelo cintilante dos desenhos pós modernos que encimam as ruas, dos modelos de sinos e oferendas que nos adoçam os humores, como se a esperança dependesse da encenação de felicidade e de paz.


 


E lá fomos, numa fila de gente que teve a mesma original ideia, numa lentidão irritante mas que permitiu ver as iluminações com todo o vagar e detalhe, de tal forma que poderia ter contado as lâmpadas de cada um dos enfeites, a todo o comprimento da avenida.


 


As decorações de casa esperam melhores dias: continuam dentro do saco de compra, bonitas e abandonadas, em perigo de lá adormecerem até Dezembro do próximo ano, tal como as pobres abóboras que minguam dia a dia, sem que me motive a dar-lhes uso.

06 dezembro 2014

Dos preparativos (1)

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Tão inevitável como o Natal, são os preparativos natalícios.


 


Este ano a primeira coisa que preparei foi o espírito. Qual pequeno burguesa cada vez mais assumida, fui ontem jantar a Lisboa para ver as iluminações da baixa da cidade. Desde o dia em que foram inauguradas, em que fui mimoseada com uma montanha de queixas de um taxista do Porto, que aproveitou um frete de Campanhã à Rua do Campo Alegre, numa sexta feira à noite, para proferir impropérios e acusações ao Presidente da Câmara, a São Pedro, ao tempo que não voltava para trás, às ruas fechadas ao trânsito e às decorações de Natal, tão pobrezinhas que só tinham uma cor, fiquei cheia de vontade e me curar dos azedumes que me assolam nesta época do ano.


 


Nada melhor que ver as ruas de Lisboa com as suas sóbrias decorações natalícias, numa noite gelada de Dezembro, com o aroma das castanhas assadas e o burburinho das várias línguas com que nos cruzamos, para percebermos que o tempo é tão escasso que o melhor é usufruir das pequenas alegrias que nos acontecem, nem que seja a sensação do dever cumprido no fim de uma semana de trabalho, na quieta satisfação da partilha de um passeio com quem se ama.


 


Estou, portanto, no ponto certo para começar os afazeres da estação: hoje tratei do licor de ameixa, adiando para outra oportunidade as toneladas de abóbora que tenho no canto da cozinha (confesso que já procurei receitas para variar no aproveitamento da dita, pois já não tenho imaginação para inventar mais compotas).


 


Mas hoje, com a cumplicidade de quem me costuma ajudar nestas lides, fiz o xarope de açúcar (para cada litro de água cerca de 800 g de açúcar, a ferver durante 20 minutos) com um toque de raspa de limão e uma vagem de baunilha, aberta e raspada. Depois de filtrar num pano a aguardente com as cascas e os caroços das ameixas, a macerar desde há alguns meses, juntei os 2 líquidos (a proporção foi de cerca de 800 ml de xarope para cada litro de aguardente), não sem o percalço de ter incendiado o licor no tacho, o que só demonstrou que a aguardente é bastante boa...


 


Está verdadeiramente uma delícia. O chão peganhento e a cozinha a cheirar a taberna - pequenos efeitos secundários desta tarde trabalhosa mas bastante animada.

Desejos de Natal (4)

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Que se ofereçam muitos (principalmente destes) livros de poesia...   

Desejos de Natal (3)

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Que o tamanho das luvas tenha correspondência com o tamanho dos sapatos.

Desejos de Natal (2)

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Que a Amazon.co.uk se despache.

Desejos de Natal (1)

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Que chegue depressa (e com calma) o dia 24 de Dezembro.

01 dezembro 2014

Cante de Natal

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Oh meu menino de oiro


minha alminha tão nobre


quem te deu como tesoiro


uma vida que é de pobre.


 


Oh meu perfeito menino


que és tão puro e natural


quem te deu como destino


lavar o mundo do mal.


 


Oh meu menino Jesus


que nasces todos os anos


que carregas uma cruz


de tristezas e enganos


 


Oh meu menino querido


não te afastes de nós


neste tempo desabrido


em que nos sentimos sós.


 


Oh meu menino tisnado


que secas o nosso pranto


a dormir tão descansado


no embalo deste canto.


 


Oh meu menino de trigo


seara da minha vida


que possas sentir abrigo


nesta voz enternecida.


 


Oh meu menino moreno


que sofres com meu penar


que possas ser o sereno


da noite que me levar.

Dos distanciamentos impossíveis

A honestidade intelectual obriga-me a reconhecer como verdadeiros alguns dos reparos que me fizeram: o não me ter manifestado aquando de outros processos em que os arguidos, tal como aconteceu com Sócrates, foram exibidos e julgados na praça pública.


 


É verdade que, mesmo que o tenha pensado, não o disse com a veemência que mereceriam ou, pior, não o terei mesmo equacionado. E isto diz-me muito sobre a minha própria forma de encarar e de abraçar as causas que considero nobres - tenho pouco distanciamento e muitas vezes actuo orientada por preconceitos.


 


Seria bom que, numa próxima vez em que me colocasse à prova, pudesse ser mais justa e mais imparcial. Mas a liberdade total em que o comprometimento com os outros não existe é, para mim, impossível. Em muitas circunstâncias, os afectos guiam a minha razão.

Dos renascimentos

Apesar do peso da detenção preventiva de Sócrates, António Costa e o PS conseguiram protagonizar um congresso em que se falou do País, em que se fez oposição ao governo e em que se afirmaram as ideias que guiarão as próximas estratégias políticas.


 


António Costa não tem medo de fantasmas - nem de Sócrates, nem do espectro da necessidade dos acordos e compromissos, nem dos profetas do bloco central, nem das carpideiras da esquerda da esquerda mais à esquerda que qualquer esquerda.


 


Da renovação do partido terá que seguir para a renovação da esperança e da confiança. As eleições ainda estão longe e é indispensável que a clarificação do que é governar à esquerda significa. Não me parece que os assuntos enunciados no discurso de encerramento, nomeadamente o problema da integração europeia, se possam resolver. O PS não deve ter tabus em relação a nada, muito menos à importância de se redefinir os moldes de funcionamento desta União cada vez menos democrática e mais distanciada das instituições nacionais.


 


Mas foi com grande satisfação e renovada esperança que ouvi o discurso de encerramento* deste Congresso. Como devem estar tristes os comentadores que já antecipavam um velório em vez de um renascimento.


 


* Não sei porquê, mas este link não funciona no google chrome, mas funciona no internet explorer.

Nova morada - do Sapo para o Blogger

Resilience Paula Crown O Sapo vai deixar de ser uma plataforma de alojamento de blogs. Tudo acaba. Os blogs estão em agonia e só mesmo algu...